
Tem certas coisas que não entendo em absoluto. Uma delas é TER que herdar até mesmo um estilo de vida que não desejaria nem mesmo para o seu cachorro.
O caso é que decidiram que um príncipe tem que casar.
Eu sei o que meu pai passou com minha mãe e vi, muito bem, as briguinhas entre os casais que sempre freqüentaram o nosso palácio.
Por que eu desejaria uma coisa dessas para mim?!
Enfim, lá fui eu para um tal de baile em que eu escolheria a que falasse menos – essa foi a minha condição para me casar com quem mal olharia para a cara o resto da minha vida.
Assim que cheguei era um tal de "ohs","meu deu", "meu príncipe" e sei-lá-mais-o-que, que nem olhei para mais ninguém. Até aparecer uma moça com um vestido para lá de moderninho, com um ar de culpada na cara, e evidentemente vinda às escondidas.
Dancei com ela a noite toda. Não abri a boca e, para minha surpresa, a criatura não falou nada. Ou o sapato estava doendo no pé, ou era muda.
Então, sei lá o que deu na criatura, saiu correndo como uma louca, deixando-me como um pateta no meio do salão.
Desolador... Tive que sair do salão... Na verdade, ela me fez um favor enorme, claro. Não precisaria ficar fazendo o papel de idiota a noite toda. Disse a todas que já tinha escolhido. Ao assessor desesperado disse que tinha sido aquela que tinha saído como doida.
Depois, ele me traz um chinelo – horrível e velho, por sinal. Disse que era o sapato da moça.
Disse para ele achá-la que eu me casaria com ela. Claro que haveria um monte delas dizendo que o chinelo era delas. Teria outro baile, e outro, e outro...
O caso é que ele achou a bendita moça.
Acabamos por nos casar.
Ela realmente não fala muito.
Mas, se por uma fatalidade do destino eu disser alguma coisa que a desagrade, eu vejo seu queixo levantar levemente, seu olhar me fuzilar "ternamente", e tenho a certeza que aquela droga de uniforme de gala que tenho que usar vai estar inutilizado.
Ela já conseguiu terminar com três deles neste ano e fui obrigado a utilizar ternos caríssimos.
O próximo evento vai ser quarta-feira. Estou pensando no que posso falar para irritá-la. O terno novo que mandei fazer é muito bonito e tem um caimento perfeito. E combina com o vestido que ela vai. Só espero que, de pirraça, ela não use aquele batom vermelho horroroso.
Humm...
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Além de Cinderela, também brinquei com Chapeuzinho Vermelho e João e Maria. Estas histórias são irresistíveis! :))


